O deputado federal Almeida Lima (PMDB/SE) está convencido de que não existe nenhuma diferença de comportamento ético e moral entre o vice-governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB/SE), e o senador da República, Renan Calheiros (PMDB/AL. “Defendi Renan. E que diferença há entre Jackson Barreto e Renan Calheiros?”, provocou o primo e desafeto, durante a sabatina da 35ª edição do NósnoCabaré.comConvidados, na noite da quinta-feira (08).
No comparativo, prometeu divulgar, no programa Jornal da Ilha, apresentado pelo jornalista Gilmar Carvalho, ainda na manhã da sexta-feira (9), os documentos comprobatórios das defesas feitas por ele nos processos respondidos por Jackson Barreto.
“Ambos se envolveram em controvérsias perante a sociedade”, justificou Almeida, ao ser instigado a explicar se a comparação feita entre os dois peemedebistas tratava da suposta inocência de ambos ou da culpabilidade deles nos diversos episódios de corrupção em que figuraram.
Almeida Lima garante que a absolvição de Renan Calheiros no plenário do Senado aconteceu, contabilizando os votos dos três senadores sergipanos. “Do próprio Renan, fiquei sabendo de forma antecipada dos votos pela absolvição declarados pelo senador Valadares e da senadora Maria do Carmo (DEM)”, informou, alegando não ter feito quebra de sigilo de votação, conforme afirmado pelo senador Valadares, em postagens recentes no twitter, diz Almeida.
Encosto
“São os incomodados que se mudam. E eu estou me mudando. Diferente do que declarou JB, de que estaria se livrando de um encosto, ele é que veio se encostar-se a mim em 2007, quando eu já estava no PMDB desde 2005”, fustigou Lima, anunciando filiação ao PPS, que acontecerá durante encontro regional do partido, a se realizar no próximo dia 23 de setembro, no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe.
O parlamentar acredita que deixará o PMDB sem qualquer risco de perda do mandato, conforme preconiza o princípio da fidelidade partidária. Ele alega portar tutela antecipada proferida, em 17 de julho último, em decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia, fartamente justificada por motivo de perseguição política, já fundamentada em jurisprudência do TSE.
Perseguição
Segundo Almeida Lima, a negativa do registro de candidatura à reeleição ao Senado da República em 2010, o apoio à reeleição de Edvaldo Nogueira (PCdoB) à PMA em 2008 e a destituição do diretório municipal de Aracaju, nos últimos meses, e sem o conhecimento prévio da executiva nacional do PMDB, integraram as argumentações de perseguições de Jackson Barreto, presidente estadual do partido, durante a permanência de Almeida Lima na sigla.
“Em 2010, depois que fecharam uma chapa majoritária onde o PMDB não teria espaço para eu disputar a reeleição ao Senado, JB e o governador Marcelo Déda (PT) firmaram um acordo político para me indicar lideranças que nunca cumpriram. Fizeram tudo ao contrário. Onde eu fechei um acordo, eles foram por trás e desfizeram tudo para prejudicar a minha candidatura”, denunciou.
Lima explica que somente as argumentações de perseguição do PMDB de Sergipe foram suficientes para lhe garantir juridicamente a saída do partido sem a perda do mandato federal. “Com argumentos jurídicos suficientes, não precisei levantar argumentos contra a executiva nacional, somente contra a local”.
Quem sondou?
Almeida Lima garante ter recebido pleitos do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e do presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp, para permanecer na sigla. Na tentativa de ser mantido no partido, reafirma ter, por duas vezes, sido sondado “por quem tem condições de indicar” para ocupar o Ministério do Turismo do Governo Dilma. “Ouvi que aguardasse porque este governo que está aí (Governo Dilma) não chegaria a um ano. Ele tinha razão!”.
Frustrando a insistência dos jornalistas, alegando deselegância para com o atual ocupante do cargo – ministro Pedro Novaes Lima; assim como, para com quem o sondou, recusou-se a declinar a autoria do convite.
Nova ordem
Almeida justifica sua filiação ao PPS, reafirmando a necessidade de se estabelecer uma nova ordem política em Aracaju e em Sergipe, fundamentada em dois eixos: do respeito aos princípios éticos e morais na administração pública e da necessidade de eleger governantes eficientes e operosos para gerir a máquina administrativa. “Acredito que irei contribuir muito mais fazendo oposição ao governo federal, estadual e municipal”, justifica.
“É preciso eleger governantes eficientes e operosos. Não dorminhocos! Governantes que se preocupem em administrar para os interesses públicos e coletivos, acima dos interesses pessoais”, pregou.
Nesta nova ordem política pregada pelo deputado, não há espaço para “políticos iguais que só se revesaram no poder em Aracaju e em Sergipe nos últimos 30 anos”.
Excluídos
No hall dos excluídos da ordem política de Almeida Lima, todos que exerceram cargos executivos nos últimos 28 anos em Aracaju e em Sergipe, nominando-se o ex-governador João Alves Filho, o atual governador Marcelo Déda, o vice-governador Jackson Barreto, o senador e ex-governador Antônio Carlos Valadares (PSB), o ex-governador Albano Franco (PSDB) e o ex-prefeito João Augusto Gama (PMDB).
Em nome da parceria administrativa em favor da qualidade de vida dos aracajuanos, Almeida Lima admite ainda caminhar ladeado do prefeito Edvaldo Nogueira.
“Não dá para construir uma nova ordem com o atraso. É preciso pensar no futuro”, diz, esclarecendo que a nova ordem não tem a ver com a idade cronológica, nem com o tempo de vida pública exercida pelos políticos, mas trata de concepção de ideias e de políticas públicas de interesse social.
No encontro de contas de Almeida Lima, contra João Alves, pesam os escândalos da Navalha – recentemente denunciado pelo Ministério Público Federal, e o caso Fubras – alvo de investigação e denúncia do Ministério Público Estadual.
Segundo Almeida Lima, contra o ex-governador Antônio Carlos Valadares, depõem os “100 dias de greve na saúde e o escândalo do Banese, que teve gente presa”.
Nos casos de João e Valadares, segundo Almeida Lima, os governantes também devem a Sergipe pela gastança desnecessária em obras públicas mal planejadas, de alto custo, pouca utilidade coletiva e sem visão de futuro.
Luto oficial
Provocado, o deputado não manifestou boas expectativas sobre o governo de Marcelo Déda. “Aos nove meses, este governo já acabou. Agora, só se discute a sucessão de 2014 e 2018 e sem combinar com o povo. Ninguém espera mais nada deste governo. O governo acabou”, lastimou.
Na régua de Almeida Lima, João, Albano, Valadares e Déda têm a mesma medida. “As manchetes dos jornais dos governos João, Valadares, Albano e Déda são todas iguais”, diz o deputado, revelando que sua assessoria realiza um estudo histórico para fazer os comparativos dos governantes nas últimas três décadas.
Com Os Amorins
Questionado se, neste projeto político, haveria espaço para abrigar o grupo dos Irmãos Amorim: empresário Edvan Amorim (PRB) e Eduardo Amorim (PSC), que rebocam um elenco de mais de dez partidos em Sergipe, disse que “na nova ordem política cabem todos os sergipanos. A exclusão é pontual. Não cabem os que tiveram no centro do poder e feriram o princípio da moralidade pública”, argumentou, justificando “não poder responsabilizar quem nunca exerceu cargo executivo nas últimas três décadas”.
“Ele faz o que o sistema eleitoral do Brasil permite”, defendeu Almeida, ao ser perguntado sobre a quantidade de partidos liderada pelo empresário Edvan Amorim em Sergipe. “Déda tem dois partidos e daí? Quem nunca imaginou um petista que tem dois partidos?”, ironizou, referindo-se ao PT e ao PSD.
Crise interna
Ele garante que, atendendo a um convite da base do PPS e não da executiva nacional do partido, está em situação de conforto na sigla, assegurando que Nilson Lima preservará a presidência do partido e Marcos Aurélio será mantido no cargo de secretário-geral. “Quem propagou a crise interna, sequer estava dentro do partido”.
Almeida Lima trata a reação do ex-deputado federal João Fontes - ao tomar conhecimento de sua chegada ao PPS, como “futrica de figurinha que não tem estatura moral, nem história política comparável a sua”.
“O PPS terá candidato próprio a prefeito de Aracaju. Isto já vinha sendo divulgado pelo partido antes da minha chegada. Hoje, digo que não sou candidato à PMA em 2012”, desviou.
O deputado se recusou a responder a pergunta de um internauta, sobre a possibilidade de apoio a um candidato apoiado pelo governador Marcelo Déda ou à candidatura de João Alves Filho (DEM/SE), em caso de disputa em segundo turno para prefeito de Aracaju.

