segunda-feira, 16 de maio de 2011

MACHADO NO CABARÉ DE QUINTA - 21ª EDIÇÃO - 12/05/2011

Machado diz que João será candidato à PMA

"Perder um eleição não significa acabar com um partido, nem enterrar as idéias. Perdemos em 2006 e em 2010 e estamos vivos, pensando, sugerindo, incomodando e dispostos a ganhar a eleição em 2012". A tese é do engenheiro civil e ex-deputado federal José Carlos Machado (DEM/SE), manifestada durante a sabatina da 21ª edição do NósnoCabaré.comConvidados, na noite da última quinta-feira(12). "Ninguém fala. Mas, de 1,3 milhões de eleitores sergipanos, cerca de 800 mil não votou no governador Marcelo Déda (PT) para renovação do mandato em 2010", fustiga o democrata.

PMA

O ex-deputado demostrou entusiasmo ante ao resultado das últimas pesquisas eleitorais que apontam João Alves como favorito na disputa pela Prefeitura de Aracaju em 2012. "Meu candidato é João e estou absolutamente convencido de que ele será o candidato dos democratas à Prefeitura de Aracaju em 2012", afirmou. "Os números de 2010 mostram que grande parte da população está insatisfeita com o agrupamento político que detém o poder na capital desde 1985", justifica, apontando falta de planejamento nas administrações da prefeitura e do governo do Estado como motivadores da insatisfação popular com os governos de Edvaldo Nogueira (PCdoB) e Marcelo Déda (PT).

Saúde

Na avaliação do ex-deputado, a saúde pública, na capital e no estado, vive uma situação de descalabro. "Aracaju não está bem. Alguém precisa avisar a população que o cidadão de Aracaju não pode adoecer no domingo. Tem que antecipar o problema para sábado ou deixar para segunda porque não tem médico nos postos de saúde e hospitais", repreendeu, sentenciando que igual quadro de sucateamento e ineficiência da saúde pública nunca se registrou em Sergipe.

Clínicas

"Rogério Carvalho (deputado federal e ex-secretário da saúde municipal e estadual)já construiu mais em Sergipe do que muitos engenheiros. O fato é que, não cansado de prejudicar a saúde de Aracaju, Rogério Carvalho resolveu acabar com a saúde de Sergipe", criticou Machado, ao ser questionado sobre o modelo de descentralização em execução no estado com a construção de 102 clínicas de saúde da família. Como falta de planejamento, Machado relata que somente durante a inauguração de uma clínica, em um povoado do município de São Miguel do Aleixo, a equipe do governo percebeu que não havia sido feito a canalização da água para garantir o abastecimento. "Não pensaram que uma clínica de saúde precisava de água para funcionar", lamentou.

Ponte

Questionado sobre a falta de cabeceira na obra da ponte do Rio Poxim, em execução pela prefeitura de Aracaju no bairro Inácio Barbosa, Machado reafirmou a tese da falta de planejamento. "Falta cabeceira na ponte e cabeça em quem administra", ironizou, comparando à obra de duplicação da adutora sertaneja, que priorizou o aumento da vazão de água bruta, sem realizar a duplicação da estação de tratamento.

Segurança

Ao comentar o aumento dos índices de violência, elevando Sergipe à condição de 10º estado com maior registro de mortes por armas de fogo, Machado avaliou como falta de prioridade, planejamento e pessoas competentes para aplicação de um plano de segurança pública. "Se houve aumento no número de mortes por arma de fogo, onde estavam estas armas de fogo? Não tenho dúvidas da competência do secretário João Elói. Mas, é preciso ter prioridade e ter pessoas adequadas, que entendam o problema e apresentem soluções. O governo não é obrigado a entender de segurança. Mas, tem obrigação de ir buscar pessoas qualificadas que possam contribuir com o governo".

Oposição

"Quem ganha governa. Quem perde faz oposição. O Brasil não é o país do partido único. Mas, parece o país da vontade única - a vontade de ser governo", lamenta Machado, convocando o PSDB e reconhecendo que o projeto político do grupo adversário ao Governo Déda precisa apresentar uma identidade política. "A oposição precisa definir seu tamanho. Definir um discurso que seja compreensível para a população e fazer um trabalho corajoso, combativo, propositivo e responsável. Está na hora dos democratas se preocuparem com o 1º emprego, com as donas de casa, com o trabalhador", pregou.

Fusão

José Carlos Machado se declarou totalmente cético à possibilidade de fusão entre DEM e PSDB. "Na história do Brasil não existe fusão entre partidos que se equiparam. No máximo, um partido maior absolve um de menor porte", explicou, invocando artigo de autoria de César Maia (DEM), ex-prefeito do Rio de Janeiro, onde aponta fusão como prenúncio de confusão, motivada por disputas de espaços, de poder e de controle do fundo partidário entre as lideranças já estabelecidas no Congresso Nacional.

PSD

"A imprensa comenta que a disputa entre Marcelo Déda e Edvan Amorim (PSC) pelo comando do PSD criou traumas. Gostaria que essa disputa tivesse causado um trauma profundo e irreversível", admitiu Machado, ao ser questionado sobre a possibilidade de aproximação entre o grupo de João Alves e o grupo liderado pelos irmãos: Eduardo Amorim (PSC) e Edvan Amorim, com vistas aos pleitos eleitorais de 2012 e 2014. Nacionalmente, Machado diz não compreender as motivações que levaram o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, a criar dissidência dentro do Democratas. Admite ter conhecimento de problemas de relacionamento do prefeito com o agrupamento do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). O demista reconhece a perda de 14 deputados federais, classificando-a como processo de depuração dentro DEM e comemora a permanência de 29 parlamentares federais. "Nós sobreviveremos!", espera.

Sem preconceito

"Defendo que o democratas defina logo o nome do candidato a prefeito e deixe aberta a vaga de vice para conversar com todos os partidos, sem preconceito, inclusive com o PT", disse, reafirmando convicção de que João Alves irá para a disputa em 2012.

Quadros

O ex-deputado garante não ter vontade de disputar a PMA em 2012. Admite, no entanto, que o faria num gesto de dedicação ao partido, caso outros correligionários não se dispusessem a fazê-lo. Mas lembra que o agrupamento dispõem de outros nomes aptos para o enfrentamento eleitoral. Ele citou o líder da oposição, deputado estadual Venâncio Fonseca (PP); o presidente estadual do PPS, Nilson Lima; o ex-deputado federal Pedrinho Valadares; e
o deputado federal Mendonça Prado.

Frisson

Instigado pelos jornalistas, não negou uma suposta preferência do casal João e Maria do Carmo - senadora da República, pelo genro Mendonça Prado, provocando certo "frisson" entre correligionários. "Isso eu não vou negar. Mas temos Mendonça Prado, que coloca seu nome quase que diariamente. É um excelente deputado federal, teve uma votação extraordinária em Aracaju, obtendo vitória em cerca de 90% das urnas da capital em 2010. Mendonça foi o deputado federal mais votado em Aracaju e obteve o dobro dos votos do segundo colocado na maioria das urnas", enalteceu. "Acho que Mendonça tem todo o direito de pleitear sua candidatura. Foi o candidato do partido em 2008 e obteve excelente votação. Tem todo direito de pleitear. Mas, digo a ele que o faça de forma diferente. Diga as verdades com amor", ensinou.

Machado, no entanto, fez questão de registrar total confiança no comprometimento de Mendonça Prado numa candidatura de qualquer outro membro do partido. "Tenho absoluta convicção de que, sendo eu ou sendo João o candidato, Mendonça estará conosco nas ruas. Assim como, sendo ele, eu estarei nas ruas fazendo a sua campanha".

Medíocre

Questionado sobre a fúria crítica, manifestada nos últimos dias pelo aliado de Marcelo Déda, deputado federal Almeida Lima (PMDB), que taxou o Governo de medíocre e lerdo, Machado disse que o peemedebista tem um estilo próprio, que precisa ser respeitado. "Almeida tem um estilo contundente e duro, que nem o governador quis comentar. Mas precisa ser respeitado".

Projeto

Ele reconheceu como legítimas as críticas do deputado federal. "Quando esteve presidente da comissão do orçamento, Almeida firmou um acordo entre o ministro do Planejamento e o governador de Sergipe e apresentou com emenda do relator, no valor de R$ 130 milhões para um projeto de irrigação - Manoel Dionísio, com o compromisso de que, assim que o governo do Estado apresentasse o projeto básico, o ministro abririam crédito suplementar para liberar os recursos. O problema é que o governador não moveu uma palha para apresentar o projeto básico por entender que não era prioridade", explicou. O democrata declarou interesse numa possível aproximação de Almeida Lima com o grupo da oposição. "Gostaria muito de ter o PMDB na oposição. Se não é possível vim todo, que venha parte", admitiu.

Inflação

Machado lamenta que o país sofra contingenciamento de R$ 50 bilhões para sanar despesas desnecessárias realizadas pelo então presidente da República, Luís Inácio da Silva (PT/SE) - o Lula. "A popularidade de Lula custou ao país os R$ 50 bilhões contingenciados pela presidente Dilma (PT/RS). A situação econômica, o risco da inflação, são resultados das extravagâncias do governo Lula com despesas desnecessárias e das contas públicas que cresceram de forma assustadora. O Brasil é o único país do mundo onde se controla a inflação aumentando a taxa de juros", criticou.

O evento acontece toda quinta-feira, foi idealizado pelos jornalistas Chico Freire, Eliz Moura e Ferreira Filho, não tem fim lucrativo, é de livre acesso, a participação na sabatina é franqueada mediante inscrição, os temas são livres e a consumação é pessoal. Todos os jornalistas participantes são livres para produção de textos fundamentados na pauta do cabaré de 5ª.

Fonte - www.bellamafia.org