domingo, 10 de julho de 2011

NO CABARÉ MENDONÇA DIZ: "DÉDA É UM MENTIROSO DE CARTEIRINHA"

“Eu vi uma ruma de gente processada fazendo discurso em homenagem a Sergipe. Acredito que a classe política homenageia Sergipe fazendo política com sinceridade e honestidade”, provocou o deputado federal Mendonça Prado, vice-presidente nacional do partido Democratas, durante a sabatina da 26ª edição do NósnoCabaré.comConvidados, ao ser questionado sobre a ausência dele durante a sessão solene em comemoração aos 191 anos de Emancipação Política de Sergipe.

A sessão solene reuniu grande parte da classe política sergipana, inclusive o governador Marcelo Déda (PT/SE) e o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB/SE), com exceção do próprio Mendonça Prado, no plenário da Câmara Federal, no último dia 05 de julho, atendendo a requerimento de autoria do também deputado federal André Moura (PSC/SE).

PEC 300/08

Antes da provocação, o deputado havia justificado sua ausência, alegando que, naquele horário, representava Sergipe na presidência da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizando da Câmara, recepcionando cerca de dois mil líderes das categorias militares em mobilização pela aprovação piso nacional das corporações – PEC 300/08. “Portanto, estava representando bem o estado de Sergipe”, comparou.

Solenidade

“Naquela sessão, o principal orador foi o governador Marcelo Déda, falando nos Índices de Desenvolvimento Humano – IDH. Esta não foi uma marca conquistada agora. Na verdade, o que está acontecendo é que os índices de IDH e da Educação estão caindo. Sergipe foi reprovado no IDEB”, condenou.
“Sou complicado e confesso que não me sentiria bem participando daquela sessão. Não sou de olhar essa turma discursando. Concordo com o Cazuza, naquela música quando diz que “as ideias não correspondem aos fatos”, justificou.

Servidores

“Não estamos imitando o PT. Estamos ocupando os espaços. O PT sempre representou os interesses dos servidores. Hoje, que ele chegou ao poder, não consegue agradar aos professores, não consegue agradar aos profissionais da saúde, não consegue agradar aos servidores”, justificou, ao ser questionado se, ao fazer defesa das categorias profissionais, tentava assumir o caráter ideológico adotado pelo Partido dos Trabalhadores antes de chegar ao poder.

“Na oposição, precisamos representar os interesses da sociedade e dos servidores. Os servidores precisam da força política pra reverberar suas insatisfações. Estamos fazendo o contraponto e mostrando os erros e as falhas. Se eles estivessem bem e se o povo estivesse satisfeito, não teríamos espaço. O que existe hoje é uma insatisfação generalizada. Estamos fazendo uma oposição em sintonia com a sociedade de Sergipe e do Brasil”, analisou.

Mentiroso

Mendonça Prado considera que Marcelo Déda conquistou a confiança dos servidores públicos e ascendeu ao governo de Sergipe, utilizando-se de mentira e enganação. “A vida inteira, ele mentiu e enganou os servidores. Déda é um mentiroso de carteirinha”, disse, argumentando que o petista se firmou na política pelo hábito de realizar “discursos fáceis para conquistar a simpatia de 20 ou 30 mil servidores, defendendo melhorias salariais e de condições de trabalho, até o ex-governador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE) mandar dar uma surra nele”, afirmou.

Carro forte

Mendonça fez questão de não demonstrar interesse, ao se instigado a comentar a possibilidade de uma composição entre o DEM e o PSC nos próximos pleitos eleitorais. “Não voto nos Amorins. Tenho uma péssima relação com eles. Em 2006 quando Amorim se tornou deputado federal, eu também fui candidato a deputado federal. Portanto, não votei nele. Já naquela campanha, ele mais parecia um carro forte, onde passava, comprava todo mundo. E ele, que até então era uma pessoa desconhecida da população de Sergipe, tornou-se o deputado federal mais votado com mais de 100 mil votos”, acusou Prado, dizendo que “não concorda com alianças firmadas com pessoas envolvidas em bandas e desvio de recursos da saúde, preferindo pedir que o partido o expulse para não ter que votar neles”, avisou.

Ainda sobre o PSC, Mendonça Prado diz desconhecer a origem de tal dinheiro gasto em eleições.  “Em 2006,  sofri. Não sei onde se arruma tanto dinheiro. Em 2010, quando ele foi eleito senador, não votei nele. Não tenho compromisso de ordem política e tenho certeza de que este pecado não irei cometer nunca”, ironizou.

Ao comentar participação do grupo dos irmãos Amorim, dando sustentação à base do governo pefelista até 31 de dezembro de 2006, Mendonça lembrou que João Alves era o titular do governo. “Se eu fosse o governador, Amorim não passaria nem na porta do palácio. Eu nunca mudei. Estou no mesmo lugar, no mesmo partido e com as mesmas pessoas”, arrematou.

Socialismo

Ainda em referência às composições com o PSC, Mendonça classificou o governador Marcelo Déda como um socialista. “Ele socializou o governo, dividindo o poder com os que ele sempre criticou”, fustigou.

Emendas

Mendonça Prado foi taxativo ao se declarar contrário à indicação de emendas individuais, alegando que elas servem para cooptar  parlamentares para migrarem para siglas da base de sustentação e para  votarem em projeto de interesse do Governo Federal, desviando os representantes dos compromissos firmados perante a população nos estados.

O demista também lembrou que, recentemente, a imprensa nacional noticiou indícios de uso ilícito de recursos provenientes de emendas individuais para realização de eventos. “Existe inquérito investigativo na polícia federal e denúncia de bandas de que o show custou R$ 100 mil, enquanto que o valor pago foi de R$ 500 mil”, alertou.

Segundo o deputado, por compor a base de oposição e votar contrário aos interesses do Governo, não consegue liberar as emendas. Ele se declara favorável às emendas coletivas, justificando que elas servem para realização de obras de infraestrutura importantes para os estados.

Preguiça

Provocado, Mendonça avaliou como inoperância ou falta  de prestígio do Governo de Sergipe e da Prefeitura de Aracaju para o baixo percentual de liberação de emendas junto aos ministérios do Governo Federal. “O governador Marcelo Déda e o prefeito Edvaldo Nogueira, ou não têm prestígio junto ao governo federal, ou têm preguiça de irem buscar a liberação dos recursos nos ministérios”, ironizou.

Mendonça lembra que o governador de Sergipe tinha relação direta de parentesco com o ex-presidente Lula, o que, na avaliação do deputado, poderia ter beneficiado o Estado. “Quando ele ligava para o Planalto, a conversa girava em torno de: - Como vai meu afilhado? Como está a família? Talvez por isso que o estado de Sergipe tenha ficado esquecido!”, insinuou o opositor. 

Em comparação, ele lembra que os estados da Bahia e de Pernambuco que se destacam nacionalmente pelo bom desempenho em crescimento, investimentos e obras de infraestrutura, decorrentes da liberação de verbas junto ao governo federal.

Fusão

O vice-presidente nacional do Democratas declarou-se contrário à fusão da sigla com o partido tucano. “PSDB é um partido de centro-direita e  tem um discurso parecido com o do PT. O PSDB tem vergonha de dizer o que fez. O DEM é quem realmente faz oposição com garra no Brasil e paga um preço alto por isso”. 

Como similaridade entre PT e PSDB, Mendonça aponta o discurso do ex-presidente Lula, vangloriando-se da popularização da telefonia móvel no Brasil, conquistada graças ao processo de privatizações dos serviços, realizado na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB/MG), embora, até o momento, camuflada pelos tucanos. “O PT e o PSDB se parecem. Quem faz oposição é o Democratas. As circunstâncias é que nós levam à aproximação”, resumiu.

PMA - um sonho

“Ser candidato a prefeito de Aracaju é o meu sonho. Fui candidato à PMA em 2008, quando ninguém queria. Agora que tá bom, todo mundo quer”, admitiu o parlamentar, dizendo “não saber se vão deixar”.

Ele admite que, sendo o candidato do Democratas, não fará concessões para atrair partidos. “Acho que se for candidato, irei com poucos partidos. Vou até sozinho, somente com o meu partido, porque acredito que o que ganha eleição são as ideias e o grupo politico”.

Mendonça faz questão de reconhecer que boa parte da simpatia originária de João lhe beneficia. “Temos o mais forte candidato, que é João Alves. Se João for candidato, vou entregar santinho e carregar bandeira. Serei um cabo eleitoral. Tenho consciência de que, hoje, sou melhor candidato do que fui em 2008. Mas, muito disto decorre da associação que as pessoas fazem do meu nome ao nome de João, que tem obras e mais serviços prestados. Se João for candidato, iremos tocar fogo, como aqui no cabaré!”.

“Se eu for candidato à PMA - não sei se vão deixar, não irei escolher adversário. Quero escolher propostas e espero que elas sejam as melhores”, disse, ao ser questionado se disputaria com o também deputado federal Rogério Carvalho (PT/SE).

Marketing

Mendonça acusa Rogério Carvalho de fazer marketing eleitoral com os recursos da saúde pública, argumentando que, enquanto o petista esteve secretário municipal, construiu uma rede de postos em Aracaju, viabilizando a campanha de Marcelo Déda ao governo do Estado em 2006.

Já em 2010, segundo Prado, Rogério criou “uma rede de elefantes brancos”, com a implantação de 102 clínicas de saúde, sem funcionalidade efetiva e sem disponibilidade de número de profissionais no Estado, com o objetivo de garantir a reeleição do governador. “Confesso que não entendo o plano de saúde pública deles. Acho que eles criaram esse plano de saúde pública numa mesa de bar”, disse, referindo-se a Rogério e Marcelo Déda.

Socorro 2012

Mendonça voltou a afirmar que não irá disputar a prefeitura de Nossa Senhora do Socorro em 2012, mas não descarta que sua esposa, a jornalista e empresária Ana Maria Alves Mendonça encare a disputa. “Não existe nada definido. O grupo deseja um nome vinculado. Aninha está entusiasmada e, se ela for candidata, serei seu maior cabo eleitoral”, confirmou.