"Acho que o cheiro do poder amansa e eu quero ganhar o reino dos céus". A declaração é de Jackson Barreto (PMDB/SE), vice-governador de Sergipe, ao justificar um surpreendente estilo prudente, cauteloso, republicano e até teológico, com que se expressou, durante a sabatina da 24ª edição do NósnoCabaré.comConvidados, realizada na noite da quinta-feira (02). "Rezo a Deus todos os dias para que isso aconteça", confessou, ao ser questionado sobre a possibilidade de Marcelo Déda se licenciar do governo até abril de 2014 para disputar uma vaga no Senado Federal.
Conforto
Segundo JB, o cabaré de 5ª deu-lhe a alegria da manter: a voz - naturalmente rouca, e os sentidos funcionando em plenitude. "Não tenho plano A, nem plano B. Mas, como vice-governador, torço para que ele (Déda) tenha aspirações políticas. Eu estou na espreita", completou, declarando-se em situação de conforto ao lado do petista. "Temos um entrosamento perfeito. Que homem público não se sente bem ao lado de Marcelo Déda, exemplo de honradez e ética?".
O vice-governador também garante ter participação ativa no governo nas decisões de agenda, obras, cronogramas, negociações salariais, além de representar o governador em suas ausências. "Tenho apoio total do governador para atuar e representá-lo. Considero-me um partícipe do Governo", afirmou. "Nunca fui desleal com ninguém com quem assumi compromissos", arrematou.
2014
Na confirmação da uma candidatura de Déda ao Senado em 2014, Jackson deixa claro que nenhum aliado terá seu estímulo ou apoio para suceder o petista. "Eu estou na vice e, se Déda for candidato a senador, não abro nem prum trem. Sou candidato a governador", reagiu, em referência à pré-candidatura do hoje senador da República, Eduardo Amorim (PSC/SE), ao cargo de governador de Sergipe. "Se o cavalo passar selado, eu pulo", projetou-se.
Obstinado por ocupar a cadeira do superior imediato, o peemedebista não explicou se, ao se referir à locomotiva, fazia alusão a todo o comboio de partidos rebocados, até agora, pela "máquina à vapor" do PSC. "Vamos trabalhar primeiro e cumprir o que prometeu ao povo", repreendeu, alegando que o eleitor não aceita o político que acabou de tomar posse num cargo, já está discutindo a eleição de 2014. "O povo não está nem aí para sucessão. Quem fala isso é quem não tem o que fazer. Vamos trabalhar primeiro porque é a atuação que você tem durante o mandato que faz com que a população julgue se você será eleito", repreendeu. Ainda assim, Barreto alega não ter nada contra os irmãos Amorim.
2012
O vice-governador também descarta qualquer interesse pessoal na disputa pela PMA. "Daqui não saio, daqui ninguém me tira", avisou, ao ser questionado se almeja enfrentar a disputar em 2012. "De vice pra frente. Pra trás, nem um dedinho".
Ele admite não ter um nome definido para PMA e defende a unidade do grupo em torno do projeto, visando seu fortalecimento com vistas às eleições estaduais em 2014. "Defenso uma aliança ampla, geral e irrestrita para discutir os problemas da população".
"Pode haver divergências e discrepâncias, mas defendo unidade porque 2014 será fruto do que acontecer em 2012. Vamos sair juntos e antenados. A unidade é fundamental porque 2014 passa por 2012", disse, contestando tese atribuída aos adversários da iminência de um racha entre os partidos da base do governo Déda.
Instado a avaliar a administração Edvaldo Nogueira, mais uma vez, Jackson recorreu aos escritos bíblicos. "Edvaldo é um prefeito operoso. Tem obras em todos os bairros. Crucificaram até Jesus Cristo. Ser operoso e ético é fundamental", ensinou.
O vice-governador enalteceu "o senso de previsão" que teria motivado a ação da PMA de retirada dos moradores das áreas de risco, precedendo as chuvas, o que, segundo JB, preservou vidas. "As três cidades onde eu ando são: Aracaju, Santa Rosa de Lima (cidade natal) e Paris (capital da França). Em todas três tem inundações", comparou.
Qualidade de vida
"Aracaju tem tido muita sorte de ser esta terra querida, amada e desejada por todos que a visitam. Ela se tornou a cidade da qualidade de vida pelas mãos de Deus e de todos da base que a administraram, inclusive, Almeida Lima. É preciso dizer isso", declarou o vice-governador, defendendo que um futuro candidato do grupo merece o voto do povo aracajuano.
Endiabrado
Diferente do tratamento destinado ao prefeito da capital, ao ser questionado sobre as críticas e teses de "governo medíocre" expressadas pelo primo e deputado federal Almeida Lima (PMDB/SE), o vice-governador chegou a ser apocalíptico. "Se Almeidinha vier endiabrado, eu também irei endiabrado. Se ele vier: paz e amor, eu também irei. Enfim, dançarei conforme a música".
Questionado se o parlamentar é aliado ou adversário, Jackson preferiu se esquivar do enfrentamento com o primo. "Não farei julgamento do comportamento de Almeida. O comportamento dele, só ele e Freud (neurologista) explicam. É claro que Almeida é dono da sua vida, do seu destino e do seu mandato", reconheceu, reafirmando-se preparado para o embate. "Pode vim quente que eu estou fervendo", alertou.
"Do ponto de vista geral, acredito que o PMDB não terá candidato", comentou, alegando não identificar dentro do PMDB de Aracaju um nome competitivo para disputar a prefeitura da capital. Mas, também não ignorou a defesa de Almeida Lima para que o partido tenha candidatura própria.
"Se Almeida quiser, ele tem todo o direito de pleitear sua candidatura a prefeito de Aracaju. Ele tem todo direito de ser candidato", surpreendeu, acrescentando não ter garantia, certeza, nem encampar esta discussão neste momento.
Caixa Preta
O vice também preferiu não reabrir o confronto com o deputado estadual Zezinho Guimarães (PMDB/SE) sobre a suposta "caixa preta" do Sebrae, requentada durante discussão na Assembléia Legislativa pelo líder da oposição, deputado estadual Venâncio Fonseca (PP/SE). "Como presidente estadual, reconheço que o deputado tem toda liberdade para atuar e devo tratar com todo respeito um deputado do partido".
A avaliação sobre as declarações do líder da oposição, Venâncio Fonseca (PP/SE) foram mais contundentes. "Acho que Venâncio não tem que se espelhar em ninguém. Venâncio que assuma a responsabilidade de seus discursos", desviou.
João
Jackson Barreto preferiu não valorizar a supremacia do ex-goverandor João Alves (DEM/SE) na preferência do eleitorado aracajuano, em pesquisas de inteções de votos. Considerou que a preferência decorre das duas últimas eleições estaduais disputadas pelo democrata e das obras e serviços prestados por ele.
"Essa preferência aparece de forma natural. A pesquisa reflete o momento. Tem muito tempo ainda e nosso grupo precisa ter um candidato único. A base precisa ter um projeto comum. João perdeu duas vezes para Déda, que ele chamou de menino e subestimou".
Jackson nega a controvérsia propalada na imprensa sergipana de que ele, em suposto desafio a João Alves, teria prometido atravessar a ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros a nado, caso a obra fosse concluída dentro do prazo previsto. "Em primeiro lugar, não sei nadar. Segundo, nunca fiz este desafio. Duvido que alguém mostre uma gravação com esta declaração minha. Quem o fez foi o promotor Rosevelt Batista. E João, não é bobo, sabe que o promotor ninguém conhece. Não daria ibope. Usou o meu nome".
TCE/SE
"Vai chegar o dia em que não vai se precisar dizer mais nada sobre o TCE. Torço para que esse dia chegue. Não faço críticas ao tribunal. Deixo para que a sociedade julgue", camuflou-se, ao ser provocado a explicar declaração do então presidente do TCE/SE, Reinaldo Moura, durante passagem pelo Cabaré de 5ª, atestando que "o tribunal permanece o mesmo e foi JB quem mudou de comportamento, quando já reconhece que parte da corte é honesta".
Reforma política
Embora considere pouco tempo para o Congresso Nacional aprovar a reforma política em tempo de vigorar já nas próximas eleições, o peemedebista defende a aprovação de três propostas já em discussão no parlamento federal: extinção das coligações proporcionais para os cargos legislativos, financiamento público de campanha e unificação das eleições no Brasil.
PT e o Palocci
"Não vou antecipar julgamento, nem tenho condições de colocar adjetivos. Como toda sociedade, estou esperando as explicações", justificou, dizendo preferir aguardar pronunciamento da Procuradoria Geral da República. "Não vou criticar, nem condenar ninguém", reafirmou.
Ele lamentou a saída de José Eduardo Dutra da presidência nacional do partido, alegando que Sergipe perde uma grande força dentro do Governo Dilma, só podendo contra com o prestígio de Marcelo Déda. "Sergipe perdeu espaço político". Sobre Dutra, fez questão de consignar considerá-lo honesto, sério e ter tido uma grande atuação no Senado.
Greves e funcionalismo
Livre de insolência, o vice-governador reconheceu a legitimidade dos protestos e reivindicações dos servidores públicos ante ao reajuste de 5,7% aprovado na Alese pelo governo. "O governo precisa reconhecer que pratica injustiça", afirmou.
Ele elencou as polícias civil e militar, os defensores públicos e delegados, além do magistério, como categorias devidamente atendidas pelo governo e anunciou que, até o final de 2011, o governador Marcelo Déda deva apresentar um plano de carreira para corrigir distorções que penalizam profissionais liberais como médicos e engenheiros, que têm salários base que variam de R$ 700 a R$ 1.500, impedindo-os da aposentadoria por falta de condições financeiras.
LOB
"Agora, o governo precisa cuidar das categorias não prestigiadas do ponto de vista salarial", argumentou JB, ao ser cobrado pelo sargento Anderson Araújo - presidente da Asprase, da carga horária para política militar; a Lei de Organização Básica - LOB; e da reivindicação de equiparação com a polícia civil.
Instigado a comentar as declarações do deputado estadual, capitão Samuel Barreto "de que teria perdido a paciência e não teria mais saco para aguentar a enrolação do governo, o vice-governador retrucou: "O saco de Samuel é problema dele", ironizou.
Jackson Barreto justificou que a corporação militar foi contemplada pelo governo, servido como referência para o governo de Pernambuco, que acabou de negociar um escalonamento salarial, preestabelecendo que, em 2014, o salário de um soldado seja equivalente a 70% da remuneração do mesmo cargo em Sergipe.
Para os demais servidores, o vice-governador justifica que o estado enfrenta dificuldades financeiras, tendo perdido cerca de 400 milhões em receita desde 2009, encontrando-se nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF.
Magistério
O vice-governador defendeu o governo, apresentando a tabela salarial proposta ao magistério, em negociação objetivando o fim da greve. "Se eu estivesse nos sindicatos, também não ficaria em casa porque quando mais, melhor", amenizou.
Ele também classificou como compreensível o voto contrário ao governo, dado pela deputada Ana Lúcia Meneses (PT) ao reajuste de 5,7%, sob a alegação de que "o projeto aumentou abismo entre os servidores". Segundo Jackson, considerando a história de vida da deputada, a atitude "faz parte da democracia".
Também não viu contradição na postura do professor Iran Barbosa, atual secretário de Direitos Humanos, que marchou ao lado dos professores, em protesto pelo não reajuste do piso. Lembra "que exerceu um grande mandato na Câmara dos Deputados e tem o perfil para ocupar a pasta dos Direitos Humanos".
Guerra fria
Apesar de ver propriedade na comparação, não reconheceu como uma guerra fria entre Déda e Edvaldo as propagandas provocativas que reivindicam autoria de obras e projetos em Aracaju, lançadas simultaneamente pela prefeitura e governo, nos últimos dias. "Não é nada demais prestar satisfação à população. Ainda hoje, vemos João na televisão falando das 14 avenidas que construiu há mais de 30 anos em Aracaju", alfinetou.
FONTE - www.bellamafia.org

